Não é de minha autorIA
Solidária, mas solitária
Estendo pontes com as mãos cansadas, aprendi o idioma do cuidado, sei ficar quando todos vão, sei ouvir sem interromper o choro. Sou abrigo em dias de tempestade, farol aceso para barcos alheios, divido o pouco, reparto o tempo, dou nome às dores que não são minhas. Mas quando a noite fecha devagar e o mundo se recolhe em pares, fico só com a própria voz, ecoando perguntas sem resposta. Solidária, sim — porque não sei ser indiferente. Solitária, também — porque nem toda entrega encontra retorno. E sigo assim, inteira, apesar do vazio, apesar do silêncio, existindo entre o dar e o não ser escolhida
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